quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A FÓRMULA DO AMOR: CAP. 92 - MAL ASSOMBRADO




Ver minha irmã sofrendo pela falta da filha me partia o coração. Débora era minha sobrinha e além do mais o problema da Madalena era apenas comigo. Resolvi pedir ajuda à Valentina.

- Valentina, você sabe onde esses góticos andam?

- Não tá pensando em ir até lá?

- Já pensei. Onde eles ficam?

****

A última vez que eu entrei num cemitério foi quando a avó de uma amiga minha morreu há anos atrás. Mas não foi à noite. Estávamos bem em frente ao cemitério do Parque Bom Jardim, que ficava no nosso bairro, mas um pouco distante da minha casa.


- Tem certeza de que quer continuar, Berg? – perguntou Valentina.

Até pensei em desistir. Aquilo era trabalho pra polícia. Mas se tratando de um bebê inocente nas mãos de loucos sanguinários eu não podia desistir.

- Vambora, Valentina. – respondi. – É hoje que a Débora volta pra casa e aquela gótica filha da puta vai pra cadeia!

Precisamos pular o muro. Pra vida de um nerd aquilo não se encaixava e não combinava nem um pouco. Mas quanta loucura eu já tinha feito até ali! Pelo menos não tinha cachorro, né.

Os pegas-ladrões improvisados de garrafas de vidro pinicavam na minha bunda e eu acabei rasgando um pouco a minha calça jeans ao pular. Valentina nem precisou da minha ajuda.

- Pensei que você tivesse experiência. – brincou ela.

- Não tenho nada. Mas o que eu não faço por quem eu amo, não?

- Será que você pularia se os cachorros da minha avó estivessem aqui?

- Olha Valentina!- apontei para o norte.

Alguns jovens góticos estavam reunidos tomando vinho barato, declamando poemas e alguns se beijando e quase transando em cima dos túmulos.

- Será que se a gente se aproximar eles vão achar ruim? – perguntei.

- Não é uma boa ideia. Esses caras são os maiores antissociais. Tá vendo a Madalena?

- Ela tá ali quase se comendo com o marido dela. Só a Débora que não tá por ali.

- Vamos ficar de olho naqueles dois e quando eles saírem a gente mete o pé e segue eles. Essa história vai ter um fim nessa madrugada.

Minha barriga estava gelada e quase eu não conseguia me concentrar. Depois dos poemas começaram a cantar algumas músicas, o que me fez perder a paciência.

- Ah bando de idiotas! – peguei uma pedra e joguei.

- Berg seu louco.

A pedra foi bem em cima do namorado da Madalena. Até que a ideia deu certo. Os dois tiveram que pular o muro para ir pra casa e cuidar dos ferimentos.



Diário do Rafa

Na casa da família Araújo, ninguém dormia, ninguém comia. Não se fazia nada lá a não ser rezar e chorar. Resolvi ficar lá, afinal a filha também é minha. Meu problema com o exército eu resolveria depois. E pensar que eu cheguei bem na porta!

Berg e Valentina haviam sumido, pra completar o desespero dos pais dele.

- A culpa é sua! – disse meu ex-sogro. – Você não tinha nada que abandonar a sua filha e a sua esposa.

- Olha aqui, quem resolveu sair foi a Andreza. Eu não a obriguei a nada.

- Eu saí por que você é um bruto. E você me traiu!  - defendeu-se Andreza.

- Eu estava bêbado!

Diário da Valentina

Saímos correndo rua adentro com o Berg reclamando que a sua calça estava rasgada e a bunda dele também.

- Vamos, seguindo em frente Berg. A ideia foi sua, mas eu to adorando isso!

- É por que a dor não é em você. Aaai!

Eles entraram no meio da favela e lá chegaram a uma casa que devia ser mega fedida por dentro. Entraram e, talvez pelo desespero ( Richard veio derramando sangue da cabeça o caminho todo) deixaram a porta aberta.

-Porra cara, deixaram a porta aberta. – falei.

- Vamos entrar, ora!

Enquanto Madalena tentava estancar o sangue de Richard, Débora chorava muito em cima da cama. Parecia suja e com fome.

- Manda essa menina calar a boca, Madá.- disse Richard.

- Ela não me escuta amor!

- Deve estar com fome!

- Não tem comida pra ela.

- Dá vinho! Ai, tá doendo demais.

Enquanto isso Berg foi correndo até o quarto pra pegar a criança. Continuei escutando a conversa dos dois:

- Chama a ambulância, Madá.

- Tá maluco? A polícia tá atrás da gente. Aqueles filhos da mãe querem me pegar. Vou lá no quarto pegar o curativo. Segura esse pano aí.

Berg vinha na direção da porta com Débora nos braços quando foi surpreendido por Madalena. Corri e fui pra cima dela, quando desferi um soco no seu rosto.

- Corre Berg!

- E você?

- Me deixa!           

Berg correu, mas Richard estava pronto com um revólver na mão.

- Daqui ninguém sai. Aqui ninguém entra. – Disse ele com uma voz macia. Nem parecia que ele estava nos ameaçando.

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