24º
Capítulo – Gabriel termina o namoro com Grazielle!
-Foi Milene? - questiona Gabriel, ainda
incrédulo
Grazielle se recorda com exatidão de quando Milene pediu ajuda para preparar o bolo. Estava voltando da igreja quando foi barrada por Milene, muito sorridente.
-E então?
-Milene, isso é muito cruel. Tem mesmo certeza
de que quer fazer isso, amiga? Você pode se arrepender...
-Conseguiu o que eu te pedi ou não?
-Consegui.
Milene fita Grazielle de maneira incisiva,
instigante, satânica e sinaliza com as mãos para receber a encomenda.
-E aí? Vai continuar parada? Trouxe ou não?
-Por favor, Milene. Chega com essa inveja. Isso
só está te destruindo.
-Não me venha com papo de boa samaritana,
Grazielle. Você disse que ia me ajudar, então a partir de agora, aconteça o que
for, você também será culpada. Você não tem saída.
Grazielle conduz Milene até onde escondeu a
substância e ambas seguem rumo à casa da prima de Laly.
-Já que você sabe fazer bolo, então me ajuda.
-Se você entregar esse bolo vai ficar muito na
vista.
-Vai ficar muito na vista se certa pateta
arruinar meus planos. Dããã!
Enquanto Milene calcula a quantidade de veneno em relação as porções do bolo, Grazi, lavando a louça, a observa.
-Oh Deus... Será que essa menina não tem um pingo de bondade no coração? - pensa Grazielle
-Algum problema? - Milene questiona rispidamente
-Tem coragem mesmo de ir tão longe por causa do
Iury?
- Iury será meu custe o que me custar. Passarei
por cima do que for para ter o MEU homem. Já vou avisando de antemão...
-Tenho o Biel, o amo e sou muito feliz ao lado
dele.
-E é bom mesmo que fique só com ele. Se olhar
pra Iury com segundas intenções, arranco seus olhos e te enterro viva.
Grazielle capricha na cobertura e Milene despeja impiedosamente o veneno em cima do bolo, o cortando e colocando no tapewere que entregou a Fernanda horas mais tarde.
-De hoje você não escapa, Aimée Gallardo. - Milene ri como se estivesse assistindo a uma vídeo cacetada na tv
Gabriel se decepciona profundamente com Grazielle e não disfarça.
-Você sabia que essa garota ia machucar minha irmã e não fez nada pra detê-la?
Grazielle não articula palavras que a absolvam.
-Você sabia que essa louca ia matar minha irmã e simplesmente ficou de braços cruzados? Não sei se você merece meu amor, Grazielle. Se você é conivente com uma pessoa que comete uma atrocidade sem tamanho com essa, é tão culpada quanto ela.
-Eu juro que não sou. - Grazi se desespera
-Preciso de um tempo, Grazi.
-Biel...
-Por favor, Grazi. Dê-me um tempo.
-Por favor, Grazi. Dê-me um tempo.
-Eu posso me explicar.
-Isso não tem explicação.
Gabriel deixa Grazi falando sozinha e quando
conta aos adultos sobre as autoras do bolo envenenado, as expressões no recinto
são de surpresa e indignação.
-A gente se surpreende mesmo com as pessoas
nessa vida... - suspira D. Emília
Som: Olhos certos – Detonautas.
Milene volta para casa achando que receberá a
notícia da morte de Aimée e quando o telefone toca, a megera corre para
atender.
-Pode deixar que eu atendo... Deve ser pra mim... Alô?
-É com você mesmo que eu quero falar. Que coisa
feia, hein, mocinha. O que você cometeu é um crime terrível. Você podia ter
matado Mayra, não sabia?
O plano de Milene fracassou e ela precisa dissimular para não ser desmascarada.
-Acho que a senhora se enganou de residência.
-Não, eu não me enganei, Milene. Não seja
cínica!
Emília soube por intermédio de Mayra acerca das perversidades planejas por Milene e não tem medo de jogar limpo com a vilã.
Amado quer saber quem está na linha e percebe pelas expressões de Milene que não é um bom momento para fazer perguntas.
-Algum problema, filha?
Milene não o responde.
-Pretendo ter uma conversa muito séria com seu pai...
-Papai, acho que é engano...
Milene deixa o telefone cair no chão e tem uma crise de choro. Amado vai abraçá-la.
-Oh Milene... Está tudo bem agora... Está tudo bem agora...
Amado coloca o telefone no lugar e Milene, chorando e cobrindo o rosto com as mãos, pensa.
-Será que a idiota da comedora de folha me delatou? Se ela fez isso, irá pagar com lágrimas de sangue... Ah, se vai... A cachinhos dourados que se prepare para entrar na minha lista negra e viver o inferno debaixo deste céu... Se prepare, cachinhos dourados. Se prepare para MORRER. Mas antes disso preciso articular minha defesa. Depressa, Milene. Depressa! Pense em algo genial...
Som: Just like you do – Carly Simon.
Gabriel está arrasado por saber que Grazielle
foi comparsa de Milene no caso do bolo envenenado. Apesar de ainda amá-la
muito, prefere dar um tempo no namoro.
Aimée se senta ao lado dele no meio-fio do lado de fora do PS e mesmo sabendo que o irmão quer ficar calado, puxa assunto.
-Como é que alguém pode ser tão perverso assim?
-Me faço exatamente a mesma pergunta. - desabafa
Gabriel (sem chorar)
-Justo as duas meninas que pensei serem tão boa índole, tranquilas, meigas.
-Às vezes as aparências podem enganar.
-Justo as duas meninas que pensei serem tão boa índole, tranquilas, meigas.
-Às vezes as aparências podem enganar.
-Mais triste é quando a gente gosta de alguém e
não quer acreditar, ainda mais quando a verdade está tão óbvia...
-Não sabia que o bolo era destinado a você...
-A mim?
-Sim. Milene preparou o bolo com veneno para
matar você.
Aimée se espanta.
-E por quê?
-Até parece que você não sabe, Aimée.
-Nem conheço essa garota. Por que ela iria
querer me matar?
-I-U-R-Y...
Aimée se arrepia de medo.
Som: Ordinary world –
Duran Duran.
Tia Conceição
achava muito estranho o fato de eu não sentir saudades do Gustavo. Dani deve
ter relatado nossa conversa.
-Gustavo passou o dia fazendo campana aqui na
rua. Deve mesmo estar com saudades de você...
Ela era
como uma mãe e eu não esconderia nada dela, por mais que fosse uma situação
gravíssima. Mesmo que ela não pudesse resolver nada por mim, só o fato de
desabafar com alguém já fazia meu coração pesar bem menos.
-Desde que tenho 12 anos ele fica me perseguindo
sem parar...
-12 anos? - Tia Conceição estava sem palavras
para descrever a revolta por descobrir quem era Gustavo Figueira Antares
Gustavo
pode até ter sido minha primeira paixonite.
Cresci
ouvindo falar de amor, assistindo àqueles filmes e seus happy endings que me
faziam sair do cinema suspirando, sonhando alto, achando que quando crescesse
tudo aquilo iria acontecer comigo.
Minha
primeira paixãozinha foi Gustavo, pelo menos cinco anos mais velho que eu.
Menina de 12 anos se contenta com suas projeções bobas sobre o amor. No meu
caderno brochura eu sonhava com um Gustavo galã e ele iria me salvar das garras
de uma madrasta ardilosa e perversa.
Imaginava
que ele chegaria montado em um cavalo branco e me salvaria em alto estilo do
colégio religioso, do cinismo da Eleonora, da indiferença de meu pai e lá do
alto da torre eu acenaria para ele. Com minha armadilha de fuga montada, que
viesse o beijo que daria um giro de 180 graus na minha história. Viveríamos
felizes para sempre...
Quando fui
à festa de sua irmã e a própria me disse que ele se interessou em ficar comigo
foi como um sonho. Quase fiz cocô nas calças de tanta emoção.
Gus me
aguardava do lado de fora do salão de festas. Cheguei lentamente e tudo que fiz
foi sorrir. A mensagem já estava no ar. Gustavo se aproximou de mim
vagarosamente e me beijou.
Eu ODIEI.
A boca
dele fedia valeta, ele fazia uns ruídos estranhos durante o ato e por pouco não
pensei que sairia sem dentes. Que sensação desagradável!
Não era
essa minha ideia central sobre primeiro beijo.
Cadê a
trilha sonora com tradução em legendas amarelas?
Cadê o `eu
te amo`, os buquês de rosas vermelhas, o cavalo branco e a coroa?
Nesse
caso, cadê a escova de dente, o enxaguante bucal e o fio dental?
Foi só um
beijo. Não rolou diálogo nem abraço nem nada. E eu também não tive mais clima
para ficar na festa.
Me sentia
a menina mais repugnante da face da Terra. A imagem que eu tinha do Gustavo se
desfez por completo. Nunca mais queria precisar ter de olhar para ele.
Na
segunda-feira eu já era a garota mais invejada da minha classe e rumores diziam
que Gustavo estava perdidamente apaixonado por mim. Só podia ser uma piada sem
graça, diga-se de passagem.
-E a partir daí ele começou a me seguir dia e
noite sem parar...
-Edílson e Eleonora nunca desconfiaram?
-Nunca deixei que percebessem...
Som: Olhos certos – Detonautas.
Amado vai preparar mingau de aveia para Milene
acalmar-se e estranha o cesto de lixo estar transbordando, ainda mais sabendo
que a prima de Laly é obcecada por limpeza.
-Que
bagunça...
Como Milene sabe se virar na cozinha, Amado não
se preocupa em trabalhar o dia todo e deixar a filha tomando conta da casa, mas
estranha encontrar por entre as embalagens vazias, um frasco de veneno de rato.
E na próxima semana preparem os corações para mais fortes
emoções, pois o drama ainda está longe do fim.





0 comentários:
Postar um comentário